Meus Irmãos, que trabalho útil para o mundo profano podem os Maçons executar com seus misteriosos segredos, com os seus costumes herméticos e só a eles reservados? Eu próprio já fiz a pergunta um sem número de vezes, e até a alguns de vós já a formulei até à fronteira do vosso aborrecimento, e depois de muito reflectir, cheguei à conclusão, que o seu trabalho útil é de natureza tríplice. Dado que:
· o seu primeiro trabalho é no sentido de aperfeiçoar o espírito do Maçom: na moralidade, no civismo, e na urbanidade, uma vez que em todas as Sessões de Loja, a afirmação de certas verdades relacionadas com a ética e com a conduta social, são uma tónica nelas sempre presente e sempre dominante. E tanto mais, que na própria filosofia maçónica podemos recolher, que o verdadeiro Maçom é todo aquele que em qualquer situação sabe manter uma perfeita conduta e uma irrepreensível atitude, pautando-se em qualquer situação da vida, pelos preceitos da mais alta moralidade e da mais elevada correcção. Na verdade, sendo ele a obra-prima do Grande Arquitecto do Universo, como parcela cósmica da Sua criação, deve representar a evidência da Sua existência, e ao mesmo tempo, deve ser em si mesmo um Templo.
Por outro lado, em Loja, o Maçom é convidado e constantemente estimulado a praticar como actividade lúdica: o estudo das ciências e do verbo, e na posse de tal saber, o verdadeiro maçom está dotado duma grande capacidade para contemplar horizontes mais amplos e mais vastos do que o homem vulgar. Assim, por consequência do seu grande conhecimento dos mistérios da vida, o Maçom sabe tornar as suas atitudes mais sublimes e mais elevadas, como sabe também temperá-las com a doçura e com a educação que o caracterizam e o identificam em qualquer teatro dramático da vida.
· O segundo trabalho que a Maçonaria executa com utilidade para o mundo profano, é o de auxiliar a dissipar as nuvens que cobrem as mentes dos Homens em relação ao seu fim. Na verdade, se cada Maçom conhecer a fundo o que a Maçonaria lhe ensina, não poderá ignorar a imortalidade do seu espírito, nem tão pouco poderá ignorar que as suas experiências acumuladas, são o fruto das suas muitas vidas já por ele vividas. Pelo que na posse deste conhecimento empírico, ele saberá que é eterno. Pelo que sabe também que para além do seu túmulo, semblantes amigos o esperarão. E que só pelo conhecimento deste facto, não será dominado pelo medo, uma vez que sabe, que irá entrar na "Grande Loja Eterna", onde tudo lhe será familiar, por ter trabalhado com afinco e mérito numa Grande Loja aqui na Terra.
· O terceiro e último trabalho que a Maçonaria proporciona com utilidade ao mundo profano, tem muito de fórmula virtual e muito pouco de realidade. No entanto, pelo facto de ser atractiva, de natureza muito pura, e uma força abstracta me fazer acreditar que o Maçom devotado à sua Loja encontra verdades morais e uma maior facilidade para a sua compreensão, acredito que se essas verdades serão transmutadas ao mundo profano. Já ouvi dum grande Maçom desta Loja, e por diversas vezes, que quando entra no nosso Templo é investido duma grande espiritualidade, e que através desta, sente que o Grande Arquitecto do Universo o envolve numa paz cósmica que lhe proporciona uma grande harmonia interior e um grande bem-estar em geral. Eu próprio, por diversas vezes, já comunguei da mesma sensação de paz e de harmonia, pelo que admito existir uma admirável realidade por detrás da fórmula referida como virtual. E por essa razão, admito até, que é unicamente essa realidade invisível, que torna a Maçonaria um tão poderoso factor para o bem do mundo.
Como é do vosso conhecimento, a Loja é o local onde o maçom desbasta a “Pedra Bruta” e constrói o seu aprimoramento espiritual. Pelo que é na Loja que o maçom se emana da Luz da Sabedoria cósmica, é nela que aprende a dominar os seus impulsos e imperfeições, tornando-se mais receptivo, mais generoso, mais tolerante, mais fraterno, e até mais irmão entre os seus iguais.
Contudo, o aprimoramento espiritual para a verdade da vida, será sempre um segredo a desvendar somente pelo próprio, o qual se estiver apto a receber e a beneficiar desse conhecimento divino, será para ele uma coluna de luz mestre do seu Templo. Mas, por outro lado, se não estiver apto a receber tal conhecimento, aquela será uma coluna obscura e incompreensível para ele.
Na verdade, por existirem espíritos que ainda não estão preparados para receber a verdade da vida, por se encontrarem ainda num estado primitivo na sua formação, é a razão porque nos rodeamos de um secretismo elementar e formal, como precaução prática, contra a intromissão de pessoas impróprias aos saberes cósmicos, e por essa forma que nos prevenimos contra a profanação destes supremos saberes da vida.
Por conseguinte, é do conhecimento geral, também, que personalidades sobejamente reconhecidas publicamente como sendo Maçons, por terem sido investidas com a Luz da Sabedoria, vieram a celebrizarem-se no mundo profano, nas mais variadas iniciativas de grande valor social para a humanidade. É disso exemplo: a fundação da Cruz Vermelha, a criação da Sociedade das Nações, a Declaração dos Direitos do Homem, a Declaração dos Direitos da Criança, a criação da U.N.I.C.E.F., a criação da U:N:E:S:C:O., os Escuteiros, os Médicos sem Fronteiras, o Internacional Rotary, e tantas outras organizações e movimentos orientados para a prossecução dos ideais da fraternidade e da tolerância entre os Homens. Pelo que somente pela criação destas Organizações Humanitárias a Maçonaria já muito contribuiu para a construção dum mundo melhor. Dum mundo mais humanitários. Dum mundo mais progressista.
Na verdade, quanto mais evoluir a sociedade humana, mais sentido faz que os Homens conscientes do seu destino, ingressem na Maçonaria, uma vez que quanto mais materialista for a sociedade em que vivemos, esta será mais consumista, mais desumana, e até mais competitiva. E com esta evolução apocalíptica, maiores serão as necessidades para o Homem, de ideais e de valores espirituais. E tanto mais, que a Maçonaria tem por base a ciência das causas sociais humanitárias, e é o baluarte da causa humana e do seu destino sideral.
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